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Reforma no Ensino Médio: quais os impactos para o vestibulando?

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Escrito por Ânima Educação

Desde setembro de 2016, os ambientes escolares de todo o país não são mais os mesmos. Foi quando o Governo Federal anunciou a Medida Provisória (MP) de número 746, que prevê a reforma no Ensino Médio. Estudantes secundaristas, universitários, professores, sindicatos e especialistas em educação vêm discutindo os impactos que a Medida poderia trazer na formação dos jovens brasileiros.

A reforma prevê mudanças radicais no currículo escolar, modificando toda a lógica do modelo que conhecemos hoje. Uma das alterações mais preocupantes entre os alunos está relacionada à porta de entrada para o Ensino Superior. O Enem passaria por modificações? As provas de vestibular serão adequadas ao novo modelo de aprendizado proposto pela Medida?

Leia o texto e tire todas as suas dúvidas sobre a reforma no Ensino Médio!

O que é a reforma do Ensino Médio?

A Medida Provisória 746 propõe mudanças em diversas frentes do Ensino Médio, desde o formato até às disciplinas. A carga horária mínima anual de aulas, que hoje é de 800, passaria para 1.400 horas. A ideia é que, com quase o dobro do tempo na escola – que migraria para o modelo integral -, os estudantes absorvam mais conteúdo e trabalhem melhor habilidades importantes para a vida pessoal e profissional.

Outra mudança, e a que mais tem acalorado as discussões, diz respeito à redução das disciplinas obrigatórias. No texto inicial, Sociologia, Filosofia, Artes e Educação Física não mais integrariam a grade exigida do currículo escolar. Com a aprovação de uma emenda na Câmara dos Deputados, o texto foi modificado e, até agora, foi estabelecido que o conteúdo dessas disciplinas deverá ser ensinado como “estudos e práticas” e não necessariamente precisam ser disciplinas isoladas. Os detalhes de como colocar isso em prática ainda serão determinados pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Sob essa perspectiva, o aluno cursaria metade da carga horária em aulas obrigatórias e a outra metade em matérias optativas, isto é, de sua escolha. Dentre as opções, o texto sugere cinco áreas de especialização: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional.

Com a Medida Provisória em vigor, a língua inglesa se tornaria o segundo idioma oficial do Ensino Médio, já que a proposta prevê a obrigatoriedade da disciplina. Outros idiomas, como o espanhol, também podem ser cursados como optativas, desde que a instituição disponibilize as aulas.

Como a reforma no Ensino Médio afetaria o Enem?

Ainda que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não tenha sido citado no texto da MP, é fácil concluir que, se a grade de matérias passará por mudanças, consequentemente, o método de avaliação seguirá a mesma lógica. A expectativa para as provas do Enem é de que haja setorização dos conteúdos. Em outras palavras, haveria provas diferentes para o tipo de especialização escolhida pelo aluno. Assim, se o jovem opta pela trajetória em conhecimentos matemáticos, por exemplo, ele receberia um caderno de provas com ênfase nos números, uma vez que cursou mais matérias dessa área durante o Ensino Médio.

O modelo de provas diferenciadas se assemelha à lógica do vestibular seguida por algumas universidades e faculdades, em que o candidato participa da segunda etapa do processo seletivo por meio de questões abertas das matérias específicas.

O Enem, no entanto, não possui provas discursivas, além da redação, e deve permanecer assim. A mudança afetaria somente a gama de questões de múltipla escolha. Um possibilidade seria, então, atribuir mais peso às questões específicas ou incluir mais questões da área de conhecimento cursada no Ensino Médio. Caso os exames sigam esta última metodologia, há ainda outros dois caminhos possíveis: a redução do tamanho das demais provas ou a extensão do tempo de prova, exigindo a criação de uma segunda etapa.

Independentemente do tipo de caderno de avaliação que os candidatos enfrentarão, é importante ressaltar que a alteração no estilo de prova do Enem não pode ser arbitrária, pois as avaliações devem seguir as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

E os vestibulares de faculdades particulares?

No mesmo caminho do Enem, as provas de ingresso das faculdades particulares também devem adotar o modelo de provas setorizadas. Como a entrada de alunos para a faculdade se dá por método que avalia os conhecimentos adquiridos durante o período escolar, principalmente no Ensino Médio, é bem provável que os vestibulares imitem os modelos de prova adotados pelo Enem.

A reforma é a melhor opção?

Poucos assuntos movimentam tanto o debate na sociedade como fez a reforma no Ensino Médio. Estudantes, professores, especialistas, pais, poder público e a mídia colocaram (e ainda colocam) a Medida Provisória em pauta.

A relevância de uma reforma como essa foi tanta que a Medida Provisória foi um dos motivos das ocupações de escolas e universidades por estudantes de todo o país, organizadas e mantidas nos meses de outubro e novembro de 2016.

Isso comprova que a reforma no Ensino Médio ainda divide opiniões. São muitos os argumentos contra e favor da MP 746. Vamos conhecê-los melhor?

O que diz o Ministério da Educação?

O Ministério da Educação (MEC) alega que a reforma foi inspirada em uma pesquisa do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que revelou, pelo segundo ano consecutivo, o não cumprimento da meta de qualidade do ensino no país. Segundo o Governo Federal, a Medida Provisória vem para implementar, com urgência, uma reforma em todo o sistema educacional brasileiro, que costuma ser mal avaliado internamente e internacionalmente.

Mais tempo na escola e maior liberdade de escolha para os alunos são os principais argumentos favoráveis à medida. A flexibilidade na trajetória escolar possibilitaria o aluno direcionar seus conhecimentos à área de sua preferência, antes mesmo de ingressar no ensino superior ou seguir um curso técnico, se for o caso.

O que diz a União Nacional dos Estudantes?

Ainda que a UNE e muitos professores defendam uma reforma no Ensino Médio, a instituição e a classe profissional ressaltam a arbitrariedade da proposta. Eles argumentam que o texto não entrou em debate, ou seja, que a sociedade ou os estudantes (que são os maiores interessados) não participaram e tampouco foram consultados para a construção da proposta.

Outro tópico que desagradou os que se posicionam desfavoravelmente à reforma foi a retirada de Sociologia, Filosofia, Artes e Educação Física do grupo de disciplinas independentes e obrigatórias. Entende-se que há uma priorização de conteúdos técnicos em detrimento da formação humanística e ética, importantíssima para a formação dos cidadãos que irão construir a sociedade do futuro.

A reforma no Ensino Médio agitou as discussões na esfera pública e engajou estudantes em todo o país para debater o tema, seja para resisti-lo ou para apoiá-lo. Mas não há nada certo ainda. Depois que tramitou na Câmara dos Deputados, o texto segue agora para a votação do Senado, que deve apreciar a proposta ainda no princípio de 2017.

Isso significa que vestibulandos desse ano ainda não precisam se preocupar com as provas de Enem e vestibulares. Ou melhor, não precisam se preocupar com mudanças no modelo avaliativo, uma vez que, se sancionada, a Medida Provisória só deve ser implementada a partir de 2018. Ainda assim, é bom ficar de olho e se preparar para o que está por vir.

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