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Como o novo presidente dos EUA afeta a economia brasileira?

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Escrito por UNA

A eleição nos Estados Unidos foi um dos momentos de maior tensão no ano de 2016. Quem acompanhou o processo pelos jornais ou pelas redes sociais se deparou com escândalos sobre usos indevidos de e-mail, denúncias de assédio, ofensas pessoais em debates e o uso de discursos de ódio como uma forma de angariar apoio em um cenário de crise econômica e ideológica.

Donald Trump, o candidato escolhido pelos americanos, causa apreensão por sua postura agressiva. Mas até que ponto o novo presidente dos EUA poderia afetar o Brasil? É o que vamos mostrar abaixo!

A surpreendente vitória de Donald Trump 

Embora alguns analistas tenham reduzido a vitória de Donald Trump ao fortalecimento de discursos de exclusão (vale lembrar que ela ocorreu no mesmo ano do Brexit), outros também se lembraram da importância da revolta da população rural para este resultado. 

O chamado Cinturão da Ferrugem, formado por trabalhadores de Wisconsin, Pensilvânia, Ohio e Michigan, foi manipulado pelo Partido Democrata há mais de três décadas, tendo fábricas fechadas e vivendo a desertificação de comunidades. O Cinturão ficava cada vez mais pobre, em detrimento do país, que enriquecia — especialmente as elites urbanas. 

Vale mencionar que a taxa de suicídio nas regiões rurais dobrou em relação aos espaços urbanos, como mostra o artigo do Tech Times.

A abertura do comércio é defendida sob o argumento de que uma produtividade maior, provocada pela competição e pela especialização econômica, gera um excedente que pode ser usufruído pelo país.

Em curto prazo, alguns ganham e outros perdem. Os perdedores aos poucos se adaptariam à nova realidade econômica — o que nunca ocorreu no Cinturão da Ferrugem.

Quando foi reeleito, Obama passou a defender fortemente o TPP (Parceria Transpacífica), um acordo de livre-comércio, desesperando os afetados pela abertura dos Estados Unidos.

Basicamente, o acordo busca cortar barreiras comerciais existentes entre os EUA e outros 12 países. Caso seja ratificado, ele causaria um impacto de cerca de 40% na economia global. 

Trabalhadores se sentiram traídos pelas políticas econômicas dos democratas. Ainda assim, o progressista Bernie Sanders, adversário de Hillary Clinton na ala democrata, denunciava as medidas que causaram o colapso econômico no interior dos EUA.

Isso explica a popularidade simultânea de Sanders e Trump nessas regiões. Bernie foi derrotado nas prévias, fortalecendo Trump. O discurso utilizado por Hillary para angariar o apoio do eleitorado progressista também deixou o Cinturão da Ferrugem de fora.

Para piorar, a candidata democrata optou por taxar os eleitores de Trump como “deploráveis”. O voto no republicano foi um gesto de protesto, embora estivesse longe de ser a solução.   

A vitória de Trump traz lições valiosas para o cenário político do Brasil, onde os discursos progressistas pouco dialogam com trabalhadores esquecidos e camadas marginalizadas da população. O resultado é o fortalecimento do extremismo. É hora de pensar em nosso dever de casa nessa situação, não é mesmo?

Como a escolha do novo presidente dos EUA pode afetar o Brasil

A eleição de Donald Trump causa apreensão e incertezas até mesmo entre conceituados especialistas. Os efeitos na educação, na saúde e na cultura de nosso país ainda são imprecisos. Contudo, alguns pontos já começam a se tornar mais nítidos, como veremos abaixo.

Crise na imigração

Em tese, políticos democratas são mais receptivos ao multilateralismo, o que favoreceria o Brasil pela maior abertura às negociações internacionais. Há exceções: o republicano George W. Bush se dava bem com o então presidente Lula. Donald Trump, contudo, não parece ser uma delas. 

Trump defende políticas mais isolacionistas e protecionistas. Ou seja: ele afirma proteger a indústria nacional, buscando aumentar impostos de empresas que não empregarem americanos. 

São diversas as declarações do candidato eleito de que o México e a China roubam empregos e indústrias americanas. A ideia parece ser fechar o país ao máximo, indo contra a ideia de globalização. Além disso, Donald Trump é contra a polêmica Parceria Transpacífica, que poderia fortalecer a economia mundial.

O Brasil não está entre as maiores preocupações de Washington. Trump somente citou o Brasil ao listar países que tirariam vantagem dos Estados Unidos. E a principal preocupação de nosso país quanto à eleição do republicano refere-se, justamente, à imigração.

Segundo o governo nacional, há aproximadamente 730 mil brasileiros em situação irregular nos EUA. Trump tem propostas de deportação dos milhões de imigrantes ilegais que vivem no país, bem como a aplicação de um exame ideológico para quem deseja migrar para lá. 

São diversas as declarações agressivas de Trump aos latinos que vivem nos Estados Unidos. A promessa mais famosa do candidato é a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México, de forma a impedir a entrada de imigrantes. 

Especialistas afirmam que a proposta do republicano corre o risco não funcionar na prática, pois o programa de imigração pode provocar entraves nos negócios — o contrato de Trump e a emissora NBCUniversal, por exemplo, já foi rompido devido às declarações do candidato escolhido. 

A relação com o Brasil poderia ser afetada por mudanças na imigração e devido às possíveis deportações. Mas, embora o diálogo entre os dois países possa ser mais difícil, especialistas não acreditam em uma relação caótica, com afastamento abrupto.

O discurso xenófobo e antimuçulmano de Trump coloca em risco também os milhares de refugiados por conflitos e alterações climáticas, como os da Síria e do Haiti. 

Segundo a ONU, o posicionamento da América Latina e do Caribe está na vanguarda. Ainda assim, a negociação entre Brasil e Europa para receber refugiados sírios está suspensa. As políticas anti-imigratórias de Trump poderiam pressionar nosso governo frente à crise migratória mundial. 

Alterações climáticas

Donald Trump também é antiecológico, afirmando que a indústria americana deve ser fortalecida a qualquer custo. Isso pode causar impactos negativos para as florestas dos trópicos e para o meio ambiente

A América Central, por exemplo, é intensamente vulnerável às mudanças no ciclo de chuvas, o que afeta a produção de comida. As secas prolongadas têm tornado a vida na região ainda mais difícil.  

Outro efeito considerável da vitória de Trump é a saúde mental dos afetados por seu discurso (veja mais aqui, em inglês).

O papel do Brasil na relação com os EUA

O Brasil também terá de fazer esforço. Uma oportunidade para se aproximar dos Estados Unidos seria desempenhar um maior papel de liderança na América Latina, o que depende mais da postura dos países no continente do que do novo presidente dos EUA.

Em situações de conflito, pode ser que o nosso país seja convocado a agir. O Brasil vive uma crise política interna e as relações com a Venezuela estão tensionadas devido às medidas de Maduro.

O presidente venezuelano é um forte oponente de Trump, e ações do Brasil para o enfraquecimento do líder poderiam nos aproximar dos EUA.  

Os impactos de Trump sobre o Brasil ainda são imprecisos, mas a sua eleição deixa lições valiosas para o nosso país. Vivemos um momento de crise política e econômica, cenário que favorece discursos extremistas, que afetam principalmente as minorias. Resta-nos agir com sabedoria, empatia e estratégia. 

Se você gostou de saber como a eleição do novo presidente dos EUA pode impactar a economia brasileira e quer continuar recebendo novidades, siga nossas páginas nas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e YouTube)!

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