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A saída da Inglaterra da União Europeia afeta o Brasil?

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Escrito por Ânima Educação

O ano de 2016 foi marcado por diversas mudanças políticas e econômicas no mundo todo. Entre elas, uma das que mais teve repercussão mundial foi a saída da Inglaterra da União Europeia, ocorrida no final de junho. O acontecimento ficou conhecido como Brexit (Britain + Exit) e aconteceu por meio da convocação de um plebiscito popular, no qual mais da metade dos britânicos que foram às urnas (51,9%) optaram pela saída do país do bloco econômico mais importante do mundo.

Mas afinal, como o chamado Brexit afeta o Brasil? Haverá consequências negativas? E os brasileiros que vivem na Inglaterra ou pretendem viajar para o país, sofrerão algum tipo de sanção ou terão mais facilidade para pisar em solo britânico?

Foi exatamente para responder a esses questionamentos que escrevemos o post de hoje. Se você está interessado nesse assunto, não deixe de continuar a leitura e saber mais!

A saída da Inglaterra da União Europeia afetará a economia brasileira?

De certo modo, sim. Apesar de a Inglaterra não ser um parceiro comercial e econômico de muito peso para o Brasil, representando menos de 2% do total de exportações brasileiras, o Brexit enfraquecerá o bloco europeu — e é nesse ponto que nosso país pode ser prejudicado.

Isso porque nada menos do que 18% das exportações brasileiras tem como destino países do bloco europeu. Com a desestabilização causada pela saída da Inglaterra, algumas negociações podem ser prejudicadas ou até mesmo extintas.

Além disso, há anos os governos de países sul-americanos pertencentes ao Mercosul (Mercado Comum do Sul) e europeus negociam um acordo de livre comércio entre os dois blocos, o que facilitaria enormemente as relações comerciais entre os países membros. Porém, caso a União Europeia tenha suas estruturas muito abaladas pela saída da Inglaterra, as negociações podem estacionar ou simplesmente não valerem mais a pena, já que grandes investidores veem com incerteza a continuidade do bloco europeu.

Por outro lado, todas as empresas brasileiras que já possuem negócios na Europa terão que fazer acordos e negociações diretamente com o governo britânico, caso desejem atuar na Inglaterra. Nesses casos, o impacto pode ser positivo, visto que, como as parcerias serão fechadas de país para país e não de país para um conjunto de países, as empresas brasileiras terão maior poder de barganha e negociação, podendo conseguir acordos bastante vantajosos.

E para os brasileiros que vivem ou estudam na Inglaterra, haverá mudanças?

Teoricamente não. E se houver, não serão imediatas. Os brasileiros que vivem na Inglaterra com visto de trabalho, residência ou estudo não devem se preocupar. A saída da Inglaterra da União Europeia afetará mais diretamente as pessoas que possuem passaporte europeu, de países pertencentes ao bloco.

Isso porque uma das características da União Europeia baseia-se na livre circulação de seus cidadãos entre os países membros. Ou seja, antes do Brexit, um alemão podia viver, trabalhar e estudar na Inglaterra sem a necessidade de permissões ou vistos. Com a saída britânica, essa situação irá mudar, e os europeus que desejam viver na Inglaterra terão de passar por processos de pedido de residência e visto.

De alguma forma, isso pode acabar se tornando uma vantagem para os brasileiros que desejam morar na Inglaterra, pois pode significar uma igualdade maior de oportunidades. Afinal, com a perda dos privilégios de livre circulação para os europeus e todos tendo que passar por trâmites e burocracias para obterem o visto, é possível que surjam mais oportunidades de trabalho para cidadãos de países não europeus.

Entretanto, um dos motivos mais significativos que levaram os britânicos a optarem pelo Brexit é a crescente insatisfação da população com as altas taxas de imigração no país. Só no ano de 2015, mais de 330 mil pessoas de diferentes nacionalidades passaram a viver e trabalhar na Inglaterra, a grande maioria proveniente de outros países europeus.

Por isso, especialistas preveem que as regras para entrada na Inglaterra e para a concessão de vistos de estudo, permanência, trabalho e cidadania devem ficar mais rígidas para todos, inclusive brasileiros.

Porém, caso você esteja planejando fazer um intercâmbio ou mesmo um passeio turístico na terra da Rainha, não tem muitas razões para se preocupar. Apesar de a burocracia poder ser maior daqui pra frente, brasileiros, diretamente, não deverão ter dificuldades de entrar no país.

O mesmo vale para quem é do Brasil e já mora na Inglaterra. Com o Brexit, os pedidos de permanência e renovação de visto serão agora regidos pela legislação britânica, mais exigente, e não pela legislação da União Europeia. Isso pode dificultar um pouco os trâmites, mas não é preciso se desesperar. As mudanças vão acontecer gradativamente, ao longo de dois anos. Ninguém será expulso da Inglaterra do dia para a noite por ser imigrante.

Como fica o turismo depois da saída da Inglaterra da União Europeia?

Como mencionamos brevemente no tópico anterior, quem tem uma viagem para a Inglaterra programada não tem razões para se preocupar. Brasileiros continuam sem a necessidade de solicitar o visto para o país britânico com antecedência. Os trâmites relacionados à permissão de entrada de brasileiros se dá já nos aeroportos britânicos de destino, onde todo e qualquer estrangeiro passa por uma triagem.

Além disso, com a saída da Inglaterra da União Europeia, a libra, moeda britânica, acabou sofrendo a maior desvalorização frente ao dólar desde 1985. Isso significa que está muito mais barato para nós, brasileiros, comprarmos a moeda de lá, caso estejamos indo ao país. O resultado? Mais libras com menos reais!

Embora todos os cenários citados nesse artigo sejam consequências descritas como praticamente certas para os próximos anos, especialistas são também categóricos ao afirmar que o panorama é de muitas incertezas. Não há como prever com exatidão todas as consequências da saída da Inglaterra da União Europeia, seja para o Brasil, seja para o mundo. Somente com o passar do tempo, mudanças de legislação e de aplicação das novas regras é que previsões mais precisas poderão ser feitas.

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